JUNHO

  • por Juliana Marcondes 20/jun/16

    Juro
    que não
    volto.
    Jura
    que não
    vai.
    Junto
    não é
    perto.
    Longe
    não é
    justo.
    Ruas
    em cor.
    Faz
    calor.
    Juro
    que sim.

    lisboa, junho de 2016.

    MAIO

  • por Juliana Marcondes 21/mai/16

    Chuva que
    não
    passa.
    Calor que
    não
    aquece.
    Casa,
    vazia.
    Calma,
    alinha.
    Ouve
    muito.
    Grita
    baixo.
    Olha
    alto.


    lisboa, maio 2016.

    Estrangeira

  • por Juliana Marcondes 11/mai/16

    Já são mais de dois anos em terra estrangeira. Não tão estrangeira assim, sempre alguém me diz ou eu assim respondo. É Portugal, onde a língua, uma barreira tão forte, é parecida com o nosso “brasileiro”. É Lisboa, cidade tão fácil, bonita, um Rio melhorado. E é verdade. Tão verdade que fiz dela meu lar, abracei-a com força e já disse que daqui não saio mais.

    A saudade passou a fazer parte de tudo. Hoje estou cansada e com saudades. Ontem alegre e com saudades. Amanhã? Com certeza, saudades. Falta da família. Dos amigos de sempre. Faltas felizes de nostalgia. Amenizadas com as visitas, com o fim de ano em casa. Faltas boas.

    Mas há uma falta diferente. A falta silenciosa de com o passar do tempo, não mais pertencer. Não sou mais de lá mas ainda não sou daqui. Controlo com razão a vontade de dizer “lá no Brasil é assim”. Freio o ímpeto de contar que “aqui em Portugal não é”. O não pertencimento traz asas, mas também receio.

    As raízes que nos prendem são também as que nos sustentam e, de repente, a gente percebe que viver longe delas não é simplesmente conseguir viver sem elas. É a condição de se estar fora, longe e de novo perto.

    Não pertencer é uma medida de saudade, um sopro de solidão, a percepção sincera de ir longe, poder voltar e escolher ficar.

    Já é noite, quinta-feira. Vinho rosé com água das pedras. – E então, voltas para Brasil ou ficas para sempre cá? – Sempre cá e sempre de lá.

    da janela do consulado do brasil em lisboa. primavera, 2015.

    LX UP

  • por Juliana Marcondes 10/mar/15

    Lisboa tem 16 miradouros oficiais. E tem também muitos nāo oficiais, escondidos nas sacadas, terraços e janelas de quem mora e trabalha na cidade. 

    Na última semana Lisboa ganhou um lindo projeto em parceria com a Câmara Municipal: o LX UP. 

    Todos que vivem na cidade estão convocados para fazer uma contagem dos miradouros não oficiais, cadastrando o seu “miradouro particular”: vistas secretas que reservam paisagens incríveis. 

    O projeto tem grande sensibilidade. Mais do que um presente à Lisboa, entendo-o como uma homenagem aos momentos de paz que encontramos quando, de um miradouro ou da janela do trabalho, vemos, por alguns segundos, tudo de longe. O que está perto e o que está distante ganham a mesma proporção. Olhamos pra fora, perdemos a referência, suspiramos e seguimos. Subindo e descendo as ladeiras dessa vida é que descobrimos novas perspectivas. 

    Para cadastrar o seu miradouro ou encontrar algum deles, é só acessar: lxup.pt


    Miradouro de Santa Catarina (ou do Adamastor)

    Miradouro da minha mesa de trabalho : )

    LX UP 

    @miradouros_escondidos

    #lxup

    Lisboa, 2015.

    Domingo

  • por Juliana Marcondes 29/dez/14

    Esse
    é o último
    dia.
    O primeiro,
    é verdade.
    Foi-se
    o domingo.
    Fim
    é começo.
    Pra trás
    dor.
    Pra frente,
    o que for.
    Tchau
    semana,
    ano.
    Oi,
    vida.

    IMG_2286.JPG
    Mato Grosso do Sul. Verão, 2014.

    Sábado

  • por Juliana Marcondes 21/dez/14

    Sábado
    foi,
    é.
    Sábado
    volta,
    sabe.
    Fica
    atrás.
    Sai
    da frente.
    Sábado
    foi
    ontem.
    É
    fim.

    IMG_2284.JPG
    Curitiba. Verão, 2014.