DEZEMBRO

  • por Juliana Marcondes 2/mar/17

    doze meses
    em um
    só.


    não foi,
    dezembro.

    dez para
    todo amor,
    todo tempo.

    dez para
    toda casa,
    toda volta.

    e de dez
    em dez

    mais
    um ano
    se faz.


    [curitiba, dezembro 2016]

    NOVEMBRO

  • por Juliana Marcondes 15/jan/17

    do frio
    que chove
    dentro

    do sol
    que aquece
    agora

    lembro tudo
    levo pouco

    tudo vai
    e volta

    recomeça
    e fica

    de novo
    em novembro


    [lisboa, 30 de novembro de 2016]

    OUTUBRO

  • por Juliana Marcondes 2/nov/16

    outubro,
    ou tudo.
    todo fim
    canto tem.

    conto só,
    um pouco
    do rumo,
    de tudo.

    tudo vem,
    bem também.
    outubro,
    ao mundo.

    [lisboa, 31 de outubro de 2016]

    SETEMBRO

  • por Juliana Marcondes 2/out/16

    sem tempo,
    setembro.

    sem ombro
    também.

    seu tempo
    setembro.

    é tempo
    que não
    tem.

    eu volto
    setembro.

    no tempo
    que não
    vem.

    [lisboa, 30 de setembro de 2016]

    RENTRÉE

  • por Juliana Marcondes 17/set/16

    não lembro quando de fato aconteceu. lembro só quando me dei conta, num fim de tarde de sexta-feira.

    foi no supermercado, levava a mochila com o computador, a bolsa pesada, as flores de assinatura que eu peço para entregarem no trabalho. equilibrava-me com mais três sacolas e dirigia-me para a saída. clássico.

    de repente, olhando as pessoas, percebi. a dinâmica das famílias, o clima de volta às aulas, os hábitos de compras, o ritmo, as rotinas, a ansiedade das crianças, os rostos queimados pelo sol. tudo tão igual aos anos que vi começarem no pós carnaval. janeiro aqui é em agosto. fevereiro é setembro. o que chamam de rentrée. tão local, tão sensível só de quem aqui vive.

    e, pronto, consegui. senti também. senti-me igual a eles. senti esse começo de ano que acontece antes do fim. fiz um pouco parte. tão daqui e longe de lá. tão sutil e tão forte.

    pertencimento: raro, rápido, arrebatador.

    sorri e fui embora dali. carreguei tudo pra casa.

    lisboa, setembro de 2016.

    AGOSTO

  • por Juliana Marcondes 1/set/16

    gosto,
    do tempo,
    de tudo que foi.

    gosto,
    do acaso,
    que ainda não é.

    a gosto,
    o agora
    do que
    quero bem.

    a gosto,
    o golpe
    de onde
    voltei.

    agosto
    passou
    e não sei
    o que vem.

    [lisboa, 31 de agosto de 2016]